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Inclusão Digital e Social
em Movimento
Por uma educação acessível, justa e inclusiva para todas as pessoas
A ideia de criação deste site surgiu no percurso do Mestrado Profissional em Educação Profissional e Tecnológica - ProfEPT do Instituto Federal de Alagoas - IFAL, durante o desenvolvimento da dissertação sobre Movimentos Sociais das pessoas com deficiência: contribuições da Sociologia para a inclusão na Educação Profissional e Tecnológica.
Durante a pesquisa bibliográfica, identificou-se que atualmente no Brasil apenas 3% dos sites são acessíveis às pessoas que apresentam necessidades específicas, situação que representa barreiras de informação, comunicação e tecnologia.
Conhecendo a História
A origem do lema "Nada sobre nós, sem nós" e a luta histórica pelos direitos das pessoas com deficiência
"Nada sobre nós, sem nós"
Vocês já leram, viram ou ouviram falar deste lema? Sabem como surgiu?
Este lema é uma bandeira de luta utilizada desde a década de 1980, e surgiu como protesto do movimento das pessoas com deficiências da África do Sul, pois o sistema político segregacionista apartheid promoveu ainda mais a exclusão da pessoa negra e com deficiência, sem direito a acesso a serviços básicos como saúde, educação...
Este lema reforça a ideia: nenhuma decisão que envolva uma pessoa com deficiência deve ser tomada sem o conhecimento, a participação e o protagonismo dela.
Na capa do livro Nothing about us without us: Inside the Disability Rights Movement of South Africa, na parte superior há uma foto preto e branco do movimento das pessoas com deficiências, na parte inferior uma foto de pessoa com deficiência física, no centro Nelson Mandela (primeiro presidente negro da África do Sul) e à direita William Rowland (pessoa com deficiência visual e referência na luta das pessoas com deficiência na África do Sul).
Sugestões de Leitura
Nada sobre nós, sem nós - Parte 1
Artigo do assistente social Romeu Sassaki sobre o movimento de direitos das pessoas com deficiência.
Nada sobre nós, sem nós - Parte 2
Continuação do artigo de Romeu Sassaki, explorando mais aspectos do movimento.
Declaração de Sundberg
UNESCO, 1981 - Da integração à inclusão: marcos históricos importantes.
Momento de Reflexão
Após conhecer a origem do lema “Nada sobre nós, sem nós”, você refletiu como o processo de exclusão é opressor e não respeita a dignidade humana?
Para compreender como as pessoas com deficiências eram tratadas desde a antiguidade clássica, sugerimos a leitura da dissertação de mestrado **"Movimentos Sociais dos pessoas com deficiências: contribuições da Sociologia para a inclusão na Educação Profissional e Tecnológica"**.
1. A luta pela inclusão social das pessoas com deficiência iniciou anos atrás, mas cabe contextualizar que no Brasil as primeiras instituições que surgiram, foram no período imperial, primeiro com o Instituto de Surdos-mudos (atualmente INES - Instituto Nacional de Educação de Surdos), neste ponto cabe destacar que o termo “surdo-mudo” está em desuso, é considerado pejorativo e não representa a comunidade surda, utiliza-se a expressão SURDO. Também, nesta época foi fundado o Imperial Instituto de Meninos Cegos (atual IBC - Instituto Benjamin Constant), esses dois institutos funcionam com caráter educacional, mas havia a parte asilar, que segregavam as pessoas da sociedade.
2. A década de 1930 no Brasil foi marcada por uma mobilização inicial de familiares e profissionais que começaram a exigir intervenções do Estado para pessoas com deficiência intelectual. Neste período, foi fundada a Sociedade Pestalozzi em Minas Gerais, que se tornou uma das primeiras associações focadas na educação para esse público. Apesar dessa mobilização, o contexto era dominado por visões higienistas e biologizantes, que acabavam por reforçar a segregação e limitar o debate sobre os direitos educacionais. Paralelamente, nos Estados Unidos (1935), houve um episódio de visibilidade em Nova York com um grupo de pessoas com deficiência física que foram impedidas de conseguir empregos.
3. A década de 1940 foi marcada, em nível global, pelo fim da Segunda Guerra Mundial e a criação da ONU (Organização das Nações Unidas). Esse evento colocou as minorias sociais em destaque no debate internacional, o que, embora não imediato, teve impacto nas discussões sobre deficiência no Brasil a partir da década seguinte. No Brasil, durante a década de 1950 (especificamente a partir de 1950), observou-se uma expansão de associações voltadas para a educação de pessoas com deficiência. No entanto, essas novas iniciativas ainda mantinham um caráter segregador.
4. A década de 1960 nos Estados Unidos marcou um ponto de inflexão com o fortalecimento dos movimentos sociais organizados por pessoas com deficiência. Impulsionado por figuras como Ed Roberts e o grupo "Tetras Rolantes", este esforço culminou na criação do "Movimento de direitos das pessoas com deficiências" em 1962. A década de 1970 viu a intensificação da mobilização social global, dando maior visibilidade e protagonismo ao movimento. Em 1972, após uma década de luta, Ed Roberts e Judy Heumann fundaram os Centros de Vida Independente, que promovia a autonomia. O impacto desse movimento foi tão significativo que, em 1979, a ONU (Organização das Nações Unidas) decidiu organizar o Ano Internacional da Pessoa com Deficiência.
5. A década de 1980 foi um período de grande articulação e conquistas para o movimento das pessoas com deficiência no Brasil, impulsionado pelo contexto internacional e pela redemocratização. Em 1980, foi o ano de Articulação Nacional, ocorreu o I Encontro Nacional de Entidades de Pessoas com Deficiência em Brasília, reunindo cerca de mil participantes. Este evento foi crucial para a criação da Coalizão Nacional de Entidades de Pessoas Deficientes e para a definição de uma pauta unificada de lutas. Já em 1981, a luta ganhou reconhecimento Global, pois foi marcado pelo Ano Internacional da Pessoa com Deficiência, o que deu visibilidade e urgência à causa. Enquanto no Brasil, em 1988, ocorreu o ápice da década com a promulgação da Constituição Federal de 1988. O novo texto reconheceu direitos essenciais para pessoas com deficiência, incluindo saúde, educação, habitação e acessibilidade. Nesse período, os movimentos sociais se formalizaram juridicamente (criando associações e ONGs) para fortalecer o diálogo e a cobrança junto ao Estado.
6. O marco mais significativo da década de 2000 em nível global foi a homologação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência pela ONU em 2006. Este tratado é notável por ter sido o primeiro acordo internacional de direitos humanos a ser elaborado com a participação ativa dos movimentos sociais de pessoas com deficiência, sob o lema "Nada sobre nós, sem nós". No Brasil, o impacto dessas discussões resultou na aprovação da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência) em 2015, consolidando legalmente os direitos e garantias desse público.
Linha do Tempo da Luta pelos Direitos
Marcos históricos na conquista dos direitos das pessoas com deficiência no Brasil e no mundo
Período do Império
Primeiras Ações
Surgem as primeiras instituições de atenção, como o Instituto de Surdos-Mudos (atual INES) e o Imperial Instituto de Meninos Cegos (atual IBC). Ambas tinham caráter educacional, mas também funcionavam como asilos, segregando as pessoas.
Fonte imagens: mapa.an.gov.br / revista pesquisa (links disponíveis)
Década de 1930
1930 — Mobilização e Pestalozzi
Familiares de pessoas com deficiência intelectual e profissionais se mobilizam, exigindo intervenções do Estado. Em Minas Gerais é criada a Sociedade Pestalozzi, marcando o início das associações de educação para esse público. Predominam ações higienistas e biologizantes, reforçando a segregação.
Primeira Mobilização nos EUA
Um grupo de pessoas com deficiência física barradas em empregos ganha visibilidade em Nova York, trazendo atenção para discriminações no mercado de trabalho.
Criação da ONU
A criação da Organização das Nações Unidas coloca em pauta as minorias sociais, impactando as discussões sobre direitos e inclusão ao redor do mundo e também no Brasil a partir da década seguinte.
Expansão de Associações
Expansão de associações voltadas à educação, porém que ainda mantinham caráter segregador, limitando a participação plena das pessoas com deficiência.
Movimento de Direitos nos EUA
A organização de movimentos sociais por pessoas com deficiência ganha força nos EUA, impulsionada por líderes como Ed Roberts. Em 1962, Ed Roberts e o grupo “Tetras Rolantes” consolidam o movimento de direitos.
Década de 1970 (Mundo)
Centros de Vida Independente
Após uma década de lutas, Ed Roberts e Judy Heumann fundam os Centros de Vida Independente, promovendo autonomia e protagonismo para pessoas com deficiência.
Ano Internacional da Pessoa com Deficiência
Impulsionada pelos movimentos, a ONU decide organizar o Ano Internacional da Pessoa com Deficiência, um marco para visibilidade e ações coordenadas internacionalmente.
1980
I Encontro Nacional
Ocorre o I Encontro Nacional de Entidades de Pessoas com Deficiência em Brasília, com cerca de mil participantes. Foi criada a Coalizão Nacional de Entidades de Pessoas Deficientes e definida uma pauta de lutas.
Foto: Acervo do Memorial da Resistência (conforme referência local)
1981 / 1988
Ano Internacional e Constituição Federal
1981: Ano Internacional da Pessoa com Deficiência. Em 1988, a Constituição Federal é promulgada reconhecendo direitos essenciais (saúde, educação, habitação e acessibilidade), e os movimentos sociais se organizam juridicamente para dialogar com o Estado.
2006
Convenção da ONU
A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência é homologada pela ONU — o primeiro tratado internacional com participação direta dos movimentos sociais, sob o lema “Nada sobre nós, sem nós”.
Lei Brasileira de Inclusão
2015: Aprovação da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, consolidando e ampliando direitos e garantias para a participação plena na sociedade.
📅 A Luta Continua
Cada conquista representa anos de luta, resistência e mobilização das pessoas com deficiência e seus aliados.
Inclusão Digital e Social
Este projeto nasceu de uma dissertação de mestrado no ProFEPT/IFAL, investigando os movimentos sociais das pessoas com deficiência. Nosso objetivo é promover a inclusão digital e valorizar a luta histórica por direitos e representatividade.
- Cartilha de Direitos PDF
- Guia do Educador PDF
- Checklist de Acessibilidade PDF
- Templates Inclusivos Figma
